"A felicidade se conquista mais ordenando os próprios pensamentos do que mudando o mundo.", integra a lista de uma das frases mais conhecidas do filósofo espanhol Sêneca. Profunda, não é? Se fizermos um paralelo com a época atual, é comum termos o hábito de tentar ficar antecipando o que pode acontecer.
Para a psicóloga Cristina Acebedo, o "sofrimento faz parte da vida, da experiência humana; passamos pelo luto, pela perda, pela doença. Ela até nos protege, nos alerta", disse a especialista.
No entanto, Sêneca, conhecido por trazer importantes reflexões no século XXI, ressalta que não é, de fato, acabar com ele, mas sim de tentar reduzir aquilo que nós mesmos criamos. Por exemplo, em diversos momentos ficamos ansiosos e apreensivos, tentando antecipar o que vai acontecer, e até nos culpamos quando algo sai fora do controle.
Pensando no mundo das novelas, a personagem de Cristina da novela "Alma Gêmea" (2006), interpretada pela atriz Flávia Alessandra, foi um dos papéis marcantes da teledramaturgia que ficava tentando mudar o destino de quem estava ao seu redor, como o de Rafael (Eduardo Moscovis) e de Serena (Priscila Fantin), para ter o que deseja.
Ela se aliava aos seus comparsas, armando situações para tentar deter o controle de tudo. Logo, pensando na ideia proposta pelo pensador, podemos entender que nem sempre (na maioria das vezes), vamos mudar o que ocorre, mas devemos aprender a lidar com as coisas de uma maneira mais amena, evitando catástrofes:
"Na terapia, não buscamos evitar o sofrimento, mas sim evitar que sofra mais do que o necessário", ressaltou a psicóloga.
A médica Cristina enfatiza que muita coisa que surge na nossa mente vem de forma automática, mas é claro, existem momentos em que, de tanto pensarmos, acabamos cristalizando ou buscando alguma determinada situação.
Segundo a psicóloga, muita coisa tem influência direta do nosso cotidiano e das nossas vivências pessoais, até mesmo vindas da infância: "Isso varia se estivermos cansados, estressados ou calmos", esclarece.
Para ela, é fundamental que possamos entender o que fazer com esses pensamentos e emoções, já que eles nos levam, muitas vezes, à atitudes impulsivas. Por exemplo, se pensarmos na Geração Z e o uso das redes sociais, quando enviamos uma mensagem para alguém:
"A partir desse momento, várias interpretações surgem. Uma pessoa pode pensar: 'Ele não se importa comigo', ficando insegura, enquanto outra: 'Provavelmente, estão ocupados', sentindo-se mais revigorada. A questão é a mesma, mas o pensamento é diferente", esclarece Acebedo.
Cada um tem uma maneira particular de agir e de pensar, baseada nas crenças que veio nutrindo ao longo da vida. Tudo isso age diretamente em nossa percepção: "Sobre nós mesmos, os outros ou o mundo, condicionam a forma como vemos tudo o que acontece a nossa volta".
Dessa forma, é por essa razão que, enquanto umas vivem insatisfeitas, outras pensam que precisam agir perfeitamente. Além disso, têm também os grupos que demonstram bastante confiança, entendendo que o erro faz parte do ciclo da vida.
Sendo assim, devemos parar, refletir e tentar organizar a nossa mente, saindo de tomadas de decisões automáticas, para àquelas que exigem maior criticidade e reflexão. A psicóloga explica: "Na terapia, buscamos flexibilidade psicológica, não negação", afirma.
Abaixo, trouxemos para você algumas dicas eficazes da psicóloga Cristina Acebedo. Elas têm o intuito de deixar os pensamentos mais organizados, tendo maior clareza mental para a tomada de decisões:
- Observe os pensamentos automáticos e questione: identifique situações rotineiras e pergunte a si mesmo se pode ver o fato sobre outro ângulo;
- Escreva ou digite para aliviar: a escrita terapêutica é uma boa alternativa para você tentar obter maior clareza mental em momentos de caos;
- Tenha atenção: ao invés de se distrair com coisas bobas, tente observar seus pensamentos de forma verdadeira e profunda;
- Reestruture suas ideias: tente flexibilizar sua mente, substituindo aquelas crenças mais rígidas por outras mais realistas e amenas.
Por fim, vale a pena refletirmos não só a respeito daquilo que pensamos, mas sim em quais foram os motivos que nos levaram a pensar e agir dessa forma.
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