Você chega ao escritório, ao bar, à loja ou a qualquer que seja o seu local de trabalho, e alguém pergunta com um sorriso: “Como você está?”. Você se pega respondendo com um sorriso forçado, que realça ainda mais suas olheiras e sua cara de cansaço, com um lacônico “bem”, com o qual encerra a conversa quase que instantaneamente.
A felicidade se impõe. Se tivesse respondido com a verdade, teria saído um “péssimo, obrigado”.
Quando passamos por um momento difícil, o que precisamos é de apoio, mas temos uma tendência que é quase como um reflexo automático. Como se fosse uma “senha social” para manter a interação, por mais que ela permaneça na parte mais superficial de uma conversa.
Por exemplo, quando pergunta um colega de trabalho com quem não temos tanta confiança ou quando não sabemos ou não queremos explicar como nos sentimos na verdade.
Mas isso pode nos fazer sentir invisíveis ou desconectados, especialmente se usarmos essa resposta com pessoas que realmente se preocupam conosco. Para evitar essa desconexão, Stephanie Harrison, especialista em felicidade, propõe na CNBC várias alternativas para responder a um “como você está” quando é evidente que você não está bem.
“Obrigada por perguntar. No momento, estou me sentindo…”. A especialista garante que essa resposta vai te ajudar a praticar a introspecção para identificar o que você realmente está sentindo.
“Um pouco estressada”. É simples, honesto e pode dar início a uma conversa mais profunda. Permite que você observe como a pessoa reage ao ouvir você, como afirma Harrison, o que pode permitir que você se aprofunde um pouco mais se perceber que a pessoa está receptiva.
Quem sabe, talvez até lhe ofereçam ajuda com o que está te estressando, ou te deem alguns conselhos que possam ser úteis.
“Posso ser sincera? Estou passando por um momento difícil”. A explicação é que a pergunta é um sinal de que o esquema social estabelecido vai se romper. Depois dessa pergunta, a outra pessoa sabe que não virá um “tudo bem”, e você a convida a se preparar para receber suas emoções, o que, segundo Harrison, aumenta a probabilidade de que ela possa responder de forma compreensiva.
“A verdade é que tenho muitas coisas na cabeça. Adoraria ter uma conversa séria em que ambos compartilhamos como estamos. Você topa?”. Com essa afirmação, não presumimos que a outra pessoa queira uma conversa profunda, mas abrimos a porta para que ela aconteça e para que essa conversa permita fortalecer o vínculo entre vocês.
Várias pesquisas demonstraram que agir de forma superficial, como quando respondemos “tudo bem” quando não estamos, não só prejudica a saúde mental, mas também o desempenho no trabalho.
Quando carregamos um fardo emocional oculto, perdemos o foco, por exemplo. Manter essa fachada de normalidade pode ser mentalmente exaustivo e impedir que você se concentre, tome decisões ou resolva problemas, além de aumentar o risco de esgotamento.
A chamada “cultura do silêncio” pode chegar a provocar um baixo desempenho. De acordo com um relatório da McKinsey & Company, apenas 26% dos trabalhadores acreditam que seus líderes promovem um ambiente onde se pode falar abertamente e expressar realmente como se sentem.
Quando não encontramos um espaço seguro para nos comunicarmos, no âmbito profissional, a saúde mental é prejudicada.
A inteligência emocional tem um efeito moderador sobre o esgotamento, e quando gerenciamos nossas emoções (por exemplo, falando sobre elas), ele diminui.
Já que estamos falando nisso, se queremos melhores relações no trabalho, evitemos perguntar o clichê “Como você está?”, porque “quem pergunta não quer saber de verdade, e quem responde não diz a verdade. O que se segue é uma oportunidade perdida e uma troca sem sentido, sem conexão”, explica o especialista em liderança Gary Burnison. Vamos trocar isso por algo que nos permita nos conectar de verdade.