Não temos dúvidas de que Bill Gates pode nos ajudar muito com todos os conselhos e conhecimentos que o cofundador da Microsoft compartilha em seu blog, o Gates Notes, já que sua trajetória fala por si só.
Nele, há uma seção em que ele faz recomendações de livros e, justamente, um deles o levou a descobrir qual é o segredo para ter uma boa memória.
Especificamente, o magnata da informática fala em uma de suas resenhas do livro “Moonwalking with Einstein: The Art and Science of Remembering Everything”, de Joshua Foer (Ed. Penguin Publishing Group).
O post começa dizendo: “Às vezes, as pessoas sugerem que tenho ‘memória fotográfica’, especialmente quando falo de assuntos que me interessam, como ciência e negócios. É um belo elogio, mas, na verdade, não é verdade. Nem chega perto disso. Por exemplo, meu amigo Mike é muito melhor do que eu em lembrar detalhes de filmes: qual ator atuou em cada filme e quando foi feito. Eu não consigo fazer isso”.
“Lembro-me de cada linha do primeiro programa de software complexo que escrevi. Como passo muito tempo pensando em ciência e negócios, tenho uma estrutura ou contexto no qual os fatos se encaixam.
Por exemplo: ‘Ah, essa empresa é como aquela, mas diferente nesse aspecto’. Acho que a maioria das pessoas tem boa memória para as coisas nas áreas que realmente lhes interessam”, afirma ele em seu blog. E parece que o impulso para melhorar sua memória em outras áreas (que não sejam a ciência e os negócios) teria sido o motivo pelo qual este livro lhe despertou tanto interesse. Nele, o autor revela um dado revelador: a memória não é determinada ao nascer, mas pode ser trabalhada.
Conforme Gates compartilha em sua postagem no blog, Foer explica como surgiu seu interesse em exercitar a memória quando participou de um concurso nacional de memorização, no qual os participantes realizavam tarefas quase ridículas para memorizar 52 cartas em apenas dois minutos.
Foer descobriu que a memória humana pode ser extremamente maravilhosa ao lembrar eventos que realmente nos interessam, e exageradamente ruim para lembrar coisas que não nos interessam. Algo que já havíamos visto em alguns estudos relacionados à neurociência, nos quais se afirma que a melhor forma de memorizar é saber esquecer. O que isso significa?
Em resumo, isso significa que nosso cérebro funciona muito melhor com pouca informação e selecionando aquilo que mais nos interessa.
Partindo dessa premissa, o pesquisador percebeu que algumas das pessoas que participaram do concurso usavam, para memorizar, certas técnicas de visualização da Grécia Antiga. A execução era a seguinte: elas criavam uma imagem na cabeça para aquilo que queriam lembrar, algo que facilitava a tarefa de memorização. Mas Foer quis comprovar isso por si mesmo e colocou a mão na massa.
O autor começou a utilizar essas técnicas diariamente durante um ano e, na edição seguinte, inscreveu-se como concorrente.
Talvez você já consiga imaginar o que aconteceu… Foer venceu o concurso. Mas, além disso, ele bateu o recorde de velocidade na memorização de um baralho de cartas. Qual era a técnica dele? Ele associava cada uma das cartas a uma pessoa, uma ação ou um lugar; dessa forma, conseguia juntar três cartas em uma única imagem.
A partir dessa história, Gates começou a praticar por conta própria esse jogo de associação mental e visual, o qual, segundo ele em seu blog, serviu para promover uma mudança positiva em sua mente, já que afirma ajudá-lo a desenvolver sua capacidade de reter informações e a manter sua memória jovem.