Poucas coisas conseguiram me fazer desconectar mais durante um fim de semana do que ficar viciada em um thriller nórdico de seis episódios, disponível na íntegra no catálogo da Netflix e que condensa, em formato conciso, tudo de melhor do gênero: paisagens geladas repletas de segredos, traumas que não ficam no passado e uma tensão sufocante.
Estou falando de “O Domo de Vidro”, na Netflix. Separe a pipoca e conheça essa série perfeita para maratonar!
A história começa quando Lejla, criminologista e cientista comportamental do FBI, retorna à pequena cidade sueca de Granås após a morte de sua mãe adotiva. No entanto, o que poderia ter sido um retorno íntimo e silencioso logo se transforma em outra coisa...
O desaparecimento da filha de uma de suas melhores amigas reabre uma ferida que nunca chegou a cicatrizar. Pois Lejla não é uma visitante qualquer: quando criança, ela foi sequestrada e mantida em cativeiro por um tempo antes de ser libertada.
Além disso, como bem sabe qualquer amante do gênero policial, o passado nunca volta sozinho.
A partir daí, a série se desenvolve em torno de um duplo eixo. Por um lado, a investigação do caso atual e, por outro, o constante eco do trauma infantil da protagonista, que condiciona cada decisão, cada olhar e cada suspeita.
O resultado é aquele tipo de suspense emocional que não apenas questiona o que aconteceu, mas também o que nos leva a reagir dessa forma diante do que aconteceu.
Nos bastidores está a autora da série de romances policiais suecos Camilla Läckberg, que assina o roteiro e atua como produtora executiva. Assim, a série respira esse DNA do nordic noir mais vendido, aquele que mistura crime, silêncio emocional e pequenas comunidades onde todos se conhecem bem demais para serem totalmente honestos.
No elenco, Léonie Vincent carrega o peso do papel principal como Lejla com uma interpretação contida que se encaixa bem no tom geral da série. Ao seu lado, Johan Hedenberg e Johan Rheborg completam um núcleo familiar-policial que reforça aquela ideia tão característica do gênero de que, em cidades pequenas, as instituições e os laços pessoais raramente estão separados.
Além do enredo, o sucesso de “O Domo de Vidro” reside no fato de que a série não se preocupa em reinventar o gênero, mas sim em executá-lo com precisão em seis episódios que se passam com a sensação de que estamos assistindo a um longa-metragem.
Não se trata de uma série leve, mas sim daquelas que se assistem em pouco tempo. Um thriller breve, contido e eficaz.
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