Ed Motta ainda está colhendo os frutos da declaração polêmica que fez em seu Facebook, que foi recebida como uma ofensa pelos brasileiros. Depois de ter cancelado um show em Porto Alegre por estar muito abalado com a situação atual, o cantor resolveu desabafar em entrevista para a revista "Veja". Em meio a tantas críticas feitas por ele a respeito da música e do povo brasileiro, Ed surpreende ao revelar que gosta de pagode.
"O pagode salva a música brasileira da mediocridade total. Eu acho Belo bonzão, no nível de um cantor romântico de R&B. Ele tem qualidade musical, e não falo isso com aquele ar de deboche tipo 'Ai, gente, é divertido.' Se eu tiver de escolher entre um show do Radiohead e do Belo, eu certamente vou no do Belo. Sei que vai ter música" revelou. "Não acho que o funk carioca seja nocivo. Não toca na minha casa, mas é genuíno. Vem do povo, do cara da favela se expressando artisticamente com um microfone e uma bateria eletrônica. Só não acho digno o cara que nasceu num bairro nobre fazer isso. O sujeito cresceu no Itaim, com mamãe e papai, estudou no Sacre Coeur e vem com essa conversa que está se expressando com um microfone? Ah, cara, vai estudar música, carregar caixote!", completou.
No domingo (19), ele ganhou um kit pagodeiro do programa "Pânico na Band" e garante que usou o relógio branco dado pelos humoristas. Na entrevista à "Veja", ele contou se sentir um pouco perseguido. "No Brasil, ser bom incomoda mais do que ter dinheiro. Eu tenho uma mente paranoica. Acompanho tudo que é escrito sobre mim. Nunca fui estrela, sempre fui uma pessoa fácil de lidar, mas dentro de uma cartilha tropical eu posso ser considerado uma pessoa arrogante. Sou o cara que conhece das coisas e arrota que conhece. Eu sou mestre sim, sei que sou. Isso deixa as pessoas pensando que sou um nojo", desabafou o cantor, que já teve uma turnê nos Estados Unidos cancelada por problemas com o visto.
Ed Motta conta que toma antidepressivos e ansiolíticos
Mesmo tendo dito que não se arrepende das declarações polêmicas que deu, o sobrinho de Tim Maia parece estar incomodado com a repercussão do assunto. Em entrevista, ele revelou tomar antidepressivos e ansiolíticos desde o final dos anos 1990, quando desenvolveu uma ansiedade por conta do medo de andar de avião. "Na verdade, só falei dos remédios porque estava decepcionado com um monte de coisa: de não ter o reconhecimento que mereço, de não ter espaço na mídia. O remédio é apenas o alicerce de um problema que já existe: o sentimento de revolta", contou. E completa: "Eu não estou bem. Sou jogado para escanteio. Tenho uma boa carreira internacional, o single de 1978 foi primeiro lugar na parada japonesa. Mas é claro que eu gostaria de ter uma carreira de sucesso no Brasil".
O cantor diz ainda se revoltar com comparação feita pelo público com o tio. "Eu acho que não seria honesto fazer isso. Eu também sou compositor, fazer uma revisão da obra dele seria um atestado de morte para mim. E ainda tem aquela ignorância de dizer que vivo à sombra do Tim Maia. Nunca cantei com o Tim, nunca pedi nada para ele e nunca me aproveitei da imagem dele. Mas no Brasil todo mundo tem um diagnóstico, uma teoria. O Brasil é o país do chute", diz.